“Tu és o meu passado e o meu futuro, eu sou o meu presente” , 2014
Vídeo Duração: 18´39 Dimensões: 1920 × 1080Fotografia
Dimensões: 101 x 67
Um projecto com a colaboração de Rogério Ribeiro, Pedro Canário, Catarina Braga e dos actores Valdemar Santos e Hélder Marques.
“Sobras das Refeições”, 2014
40 anos do 25 de Abril | Espaço Mira
“Como se o mundo tivesse de ser todo, novamente, reaprendido”
Álbum - Sobras das Refeições, 2014
4 slides
"Fui convidado a escrever sobre este trabalho e é com muita satisfação e entusiasmo que mergulho na história destas imagens.
O nosso encontro não foi programado, no meio dos objectos espalhados nos armários lá estavam elas. Não estavam escondidas, simplesmente havia coisas maiores por cima. Para esconder precisamos de saber que as temos. As histórias permitem ao Homem reconhecer o seu passado, e isto que falamos aqui passa por um passado.
Podiam não estar escondidas, estariam talvez esquecidas, como muita coisa fica quando o tempo se faz sentir em nós. O campo de forças é o que me atrai mais nestas imagens. Onde, quem e quando…
A sua relação com o vídeo torna-se indispensável para a compreensão da obra. Um plano fixo, e a viagem das palavras, com a força das imagens ocultas a informação torna-se opaca. Atravessamos um campo translúcido nas margens das transparências e opacidades.
Entregamo-nos às imagens e elas exploram-se na nossa mente, jogos de ligações e fantasias começam.
É um álbum, escolhido pelo rolo, cor e máscaras. Há uma mesa, pratos e corpos. Onde, quem e quando….
Um convite de perspectivas que nos compromete com aquela sala. Sentimos que algo há a contar, mas dói, sufoca e não se permite ao alívio de respirar. Contém-se e esconde-se, é quase impossível encontrar. O pensamento cava e procura por pura curiosidade. Torna-se incoerente em consciência, o jogo nunca se revela fácil. As muralhas estão bem cimentadas e só nas lascas das pedras conseguimos vislumbrar o seu interior.
São quatro slides que nos empurram para um vídeo, e um vídeo que nos convida a escutar as imagens.“
Sobras das Refeições, 2014
vídeo/conversa - 47´
“Lembro-me da primeira vez que entrei naquela sala. Já tinha entrado num outro tempo, mas não falo desse tempo, falo da vez em que entrei e vi a cena, vi o plano de cinema, o enquadramento da fotografia, a sua moldura.
Só usamos uma luz no candeeiro, é para poupar. Mas no Natal usamos as duas. A luz na sala é perfeita pensei eu para mim, cria uma dúvida quanto à sua débil arquitectura, o fundo, só quando nos aventuramos a circular se revela. Há cicatrizes, umas tapadas com panos ou carpetes, mas elas estão lá, fazem parte e apesar da sombra mostram-se. A mesa revela a reunião do dia que passou e ficou substituída pela nova celebração. As sobras das refeições eram respeitadas nesta mesa, e no dia em que eu apareci nenhuma sobra foi guardada ou deitada ao lixo. Queres que arrume a mesa? Não era preciso, as coisas deviam ficar em cima da mesa, sentamo-nos.
Só usamos uma luz no candeeiro, é para poupar. Mas no Natal usamos as duas. A luz na sala é perfeita pensei eu para mim, cria uma dúvida quanto à sua débil arquitectura, o fundo, só quando nos aventuramos a circular se revela. Há cicatrizes, umas tapadas com panos ou carpetes, mas elas estão lá, fazem parte e apesar da sombra mostram-se. A mesa revela a reunião do dia que passou e ficou substituída pela nova celebração. As sobras das refeições eram respeitadas nesta mesa, e no dia em que eu apareci nenhuma sobra foi guardada ou deitada ao lixo. Queres que arrume a mesa? Não era preciso, as coisas deviam ficar em cima da mesa, sentamo-nos.
A verdade é que não havia guião, isto não é um filme mas apresenta-se em moldes próximos. Uma conversa sem guião que cedo se revelou uma conversa inesgotável. Há uma projecção, uma narrativa, mas não é um filme, é uma conversa. Uma conversa que não começa ali nem acaba aqui, é um fragmento, uma pequena escolha de um igual momento, momento esse que se relaciona, essa relação íntima que encontramos nele e nela, na sala e na conversa. Começou sentados à mesa, ela assumiu a história, mas perdia-se, no entanto revelava uma contadora com diferentes vozes nas personagens e onomatopeias pelo meio. Ele corrigia-a e enganava-se, eu ria-me e adorava todos aqueles restos.
Ele arquivava no seu tempo, os selos que me mostrou qualificava-o como excelente na sua função. Era válido, era uma forma, uma prova das coisas, da verdade, da sua veracidade e autenticava o tempo. A verdade é que perdeu-se tudo e ele ainda se arrepende.
Ela lutava contra o pai. Próximos de relação mas afastados de pensamentos. Uma relação sem falta de verdade. A idade também era espaçada, outros tempos, tempos em que era melhor estar calado e não andar em grupos. Uma relação sem falta de verdade.
Não é um filme, é uma projecção com uma conversa. Falamos do que já foi, das sobras, das memórias que não são todas, foram as que apareceram mais na superfície. Existe uma forma, mas dificilmente podemos apelidar de definitiva. Houve um folhear de memórias.
Foi uma conversa à mesa, mesa cheia. Num lado ele, no outro lado ela e eu estava no meio a ouvir.”
Imagem In-temporal, 2014
7 fotografias, livro
“Foi numa visita de estudo, já não me lembro bem qual mas foi numa, daquelas de história. Na altura em que a história ainda não tinha conhecido o seu fim, ainda havia tempo para surgir história, ainda o espaço não tinha engolido ferozmente o tempo e víamos o espaço global como uma utopia. Conveniente visto que procurei pelo tempo, neste caso até não, foi ele que me encontrou, mas era uma questão de tempo até eu ir ver. O tempo está lá, e bastante marcado. Não procurei a data, mas assumo que faz tempo, tempo que fazia já na altura e agora ainda mais. Ele passou, passou e passa e talvez a parte da reflexão seja: onde o posso encontrar. Gosto de pensar nisso porque parece-me vê-lo, mas ele corre a passar, não o apanho e sinto a fuga, ele faz-me pensar.
Era novo, e ainda sou, mas na altura era mais, criança talvez. Não pensei no tempo lá mas tirei a fotografia que me fez pensar hoje, hoje volto lá para ver o tempo, quase como uma pequena visita de alguém que faz saudade e sente. Ele e eu não temos tempo, e corremos para o encontro que vamos falhar (Giorgio Agamben apresenta uma boa descrição do encontro falhado, mas ambos estamos conscientes da nossa falha, ele reparou). Começo com uma coisa e acabo por corrigir, mas o tempo não corrigi, acontece e fica marcado, depois melhora ou não. Por essa razão escrevo o que penso directamente no papel e depois tento melhorar, marcou e avança.”
Fotos por: João Gigante
Des-carregamento, 2013
Publicação
Observa-do, 2013
4 videos
fotografia 1.60x1m
Video 1 - Descarregamento: https://vimeo.com/70892112
Video 2 - Ponte: https://vimeo.com/70886817
Video 3 - Controle: https://vimeo.com/70695218
Video 4 - Depósito: https://vimeo.com/70664408
http://pauloosorio.tumblr.com/post/64708929948/des-carregamento-2013-publica%C3%A7%C3%A3o


