Imagem In-temporal, 2014

7 fotografias, livro

“Foi numa visita de estudo, já não me lembro bem qual mas foi numa, daquelas de história. Na altura em que a história ainda não tinha conhecido o seu fim, ainda havia tempo para surgir história, ainda o espaço não tinha engolido ferozmente o tempo e víamos o espaço global como uma utopia.  Conveniente visto que procurei pelo tempo, neste caso até não, foi ele que me encontrou, mas era uma questão de tempo até eu ir ver. O tempo está lá, e bastante marcado. Não procurei a data, mas assumo que faz tempo, tempo que fazia já na altura e agora ainda mais. Ele passou, passou e passa e talvez a parte da reflexão seja: onde o posso encontrar. Gosto de pensar nisso porque parece-me vê-lo, mas ele corre a passar, não o apanho e sinto a fuga, ele faz-me pensar. 

Era novo, e ainda sou, mas na altura era mais, criança talvez. Não pensei no tempo lá mas tirei a fotografia que me fez pensar hoje, hoje volto lá para ver o tempo, quase como uma pequena visita de alguém que faz saudade e sente. Ele e eu não temos tempo, e corremos para o encontro que vamos falhar (Giorgio Agamben apresenta uma boa descrição do encontro falhado, mas ambos estamos conscientes da nossa falha, ele reparou). Começo com uma coisa e acabo por corrigir, mas o tempo não corrigi, acontece e fica marcado, depois melhora ou não. Por essa razão escrevo o que penso directamente no papel e depois tento melhorar, marcou e avança.”

Fotos por: João Gigante